A Magia do vidro

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Já pensou por um momento em toda a complexidade – e mágica – que envolve o vidro?!

Resumidamente, a fabricação do vidro pode ser considerada de baixa complexidade. Assemelha-se a uma receita de um prato qualquer, que se seguida à risca, dificilmente dará errado.

Trata-se de uma mistura de matérias primas, a maior parte de areia, mas que também contém sódio, cálcio e outros elementos. Esses ingredientes são misturados e encaminhados para um forno com temperaturas elevadíssimas, que atinge até 1.500° C.

Essa temperatura elevada funde todos os elementos e gera uma mistura com características viscosa, muito parecida com o mel. Após, essa goma segue para moldes onde ganhará forma antes de resfriar.

O interessante é que essa goma possui uma estrutura física que parece sólida e líquida ao mesmo tempo. Uma goma inusitada que aceita ser moldada com ar – através de uma máquina que injeta o ar ou até mesmo artesanalmente, gerando esculturas únicas.

Isso acontece porque este estado físico do vidro, embora pareça sólido, possui a estrutura molecular de elementos líquidos. Alguns cientistas classificam esse fenômeno como ‘estado amorfo’(sem forma).

Conta-se que o vidro foi descoberto por acidente. Navegadores perceberam que as conchas (ricas em cálcio) se fundiam com a areia da praia (rica em sódio) ao serem expostas às altas temperaturas das fogueiras feitas na praia. Há registros da utilização do vidro como matéria prima por volta do ano 7.000 a.C.

Hoje em dia o vidro é material do nosso cotidiano muito utilizado em diversos segmentos do mercado, como arquitetura, telefonia, indústrias diversas, etc.

Quer um exemplo? Você com certeza já sabia que o vidro é muito usado para fazer janelas, displays visuais, garrafas para bebidas, espelhos, utensílios doméstico, lentes, etc. Mas você sabia que o vidro também é utilizado em outros segmentos, como em cabos de fibra óptica, isolante acústico, opção para conforto térmico, painéis de paredes, lousas para escrever de vidro, dentre outros?

Na arquitetura, por exemplo, em projetos ousados, há registros da utilização de vidro para compor telhados e pisos inteiros, devido às suas características singulares que permitem a entregada de luz natural, calor do sol e resistência em caso de incêndio (em vidros específicos).

Entretanto, essa baixa complexidade que deixa transparecer na fabricação do vidro não se aplica na tentativa de descrever esse belo e mágico elemento natural.

Antes de tudo, segue uma advertência: as tentativas de descrever o vidro podem parecer simples num primeiro momento, mas podem se transformar num desafio bastante complexo.

Experimente perceber ao menos um pouco desse fascínio e rapidamente você estará como um mágico que viu diversos filmes de Kung Fu protagonizado por um caricaturado Yoda, na companhia do mágico David Blaine e mais um saco de biscoitos de fortuna… Um pouco difícil de explicar, mas perfeitamente possível de se absorver o conceito.

Para os mais clássicos, podemos dizer que o vidro é como o amor: único, mágico, profundo, bonito, desconcertante, transformador, singular e completamente irracional.

Olhando por essa esfera, qualquer tentativa de enquadrar toda essa maravilha absurda em palavras requer uma caminhada árdua numa corda bamba esticada entre uma profundidade sublime e uma injustiça inexpressiva e insípida.

O vidro é o que se poderia chamar de “objeto impossível”. Objetos impossíveis possuem concepções com significados que desafiam as explicações.

O humor é um exemplo de objeto impossível: Uma piada pode soar engraçada para um e sem graça para outro. E isso não é fácil de explicar. Sabemos quando uma piada é engraçada, mas as vezes é impossível explicar por qual motivo achamos engraçada, porém, fez algum sentido.

O fato é que não dá pra explicar, simplesmente “entendemos” a piada, mesmo que não possamos explique completamente o motivo, apenas fez sentido.

Essa compreensão do humor, ou qualquer outro objeto impossível, ocorre num nível emocional. Um objeto impossível nos afeta emocionalmente de maneira que, de alguma forma, excede qualquer descrição. Se um comediante precisar explicar porque uma piada é engraçada a piada perderá a graça.

Fazendo uma analogia com o humor, o vidro também desafia essa explicação. Nós nunca compreenderemos completamente todo seu fascínio.

Até mesmo os cientistas têm dificuldade em conceituar o vidro. A nível molecular, o vidro desafia as categorias tradicionais de matéria. Afinal de contas, o vidro é sólido ou líquido?

Não tire conclusões precipitadas. A identificação do vidro como sólido ou líquido sempre será um debate aberto. O vidro tem tanto as qualidades de um elemento sólido e de um elemento líquido e, no entanto, não se encaixa, por completo, na definição de nenhum desses estados da matéria. Pode se dizer que o vidro é um “líquido sólido” e mesmo assim o vidro não será nem sólido, nem líquido.

Esta singularidade é o que torna o vidro mágico. Falando na prática, o vidro é mágico e resiste em ser rotulado. Por exemplo, neste momento, você está lendo essas palavras através de uma tela feita de vidro. Remova a superfície de vidro da tela e as imagens na tela sumirão, entretanto, elas continuam lá… A transparência do vidro torna essas imagens teoricamente presente ou ausente.

Olhando agora de outro ponto de vista, como o vidro passeia entre essas categorias (sólido e líquido), isso pode nos levar a colocar essas categorias em questão? Se o vidro é, ao mesmo tempo, sólido e líquido, desta perspectiva, pode-se dizer que o vidro tem um sério problema de identidade? Porque motivo o vidro não pode simplesmente se contentar em ser sólido ou líquido?

Claro que estas questões podem parecer absurdas! Isso limitaria o vidro, o que seria uma tremenda injustiça, pois o vidro é pura magia! Se o mundo, socialmente falando, não tem obrigação de se encaixar nos estereótipos que nos são impostos, porque o vidro teria a obrigação de se adequar aos rótulos que impomos somente para identificar estados de matéria.

Essa dualidade do vidro – e a recusa de rotular – faz parte da sua incrível magia. Os clientes da MultPainel já captaram esse conceito e inteligentemente perceberam que suas idéias assumem um novo significado, adquirem uma nova forma quando apresentadas em lousas vidro.

Aqui na MultPainel aprendemos que o vidro, ao resistir às nossas imposições pré-estabelecidas, revela com sua transparência única que somos nós que temos a obrigação de ver o mundo de novas maneiras.

Mantenha contato com a equipe de colaboradores da MultPainel e experimente novas formas de escrever. A instalação de lousas de vidro em espaços colaborativos, além de acrescentar no quesito arquitetônico, também nos permite encontrar maneiras únicas de nos comunicarmos, de colaborar com o mundo, gerar inspiração e dar um novo significado ao nosso ofício.